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Refinanciamento de carro ou imóvel permite reduzir custo de dívida curta pela metade

Quem tem carro quitado ou imóvel, mesmo financiado, e está pendurado no cheque especial ou no cartão de crédito pode recorrer ao refinanciamento de bens para reduzir as dívidas e equilibrar as contas, ganhando fôlego para colocar a vida em ordem. Somente a diferença de juros entre uma dívida no cheque especial ou cartão de crédito e as opções do refinanciamento podem reduzir o custo mensal pela metade. Enquanto os juros dessas linhas, que deveriam ser de emergência, mas acabam virando o atoleiro de muitas famílias, estão na casa dos 15% ao mês no cartão e 13% no cheque especial, a dos refinanciamentos oscila entre 2,2% a 3,5% no caso dos carros e 1,95% nos imóveis. Os prazos podem ir até 36 meses nos carros e 20 anos nos imóveis.

Isso significa, numa dívida de R$ 8 mil em 18 meses, uma redução do custo mensal do cheque especial de R$ 900 para R$ 586 por mês em um refinanciamento de carro, calcula Tadeu Silva, vice-presidente da Omni Soluções Financeiras. “E a vantagem é que ele não se desfaz do carro e tem uma programação financeira com um juro menor e prazo e uma prestação menor para se planejar”, afirma.

A economia cresce se a dívida for no cartão de crédito, cujo custo mensal passa de R$ 1,2 mil. E pode ser maior se a opção for pelo imóvel, que tem juros mais baixos e prazo mais longo.

E há opções para todos os bolsos, já que algumas financeiras não têm limite de idade para os veículos e podem financiar a partir de R$ 3 mil. Ou seja, mesmo um “Pois é” de estimação de R$ 4 mil pode servir para levantar um empréstimo, desde que bem conservado.

Fontes: 1 – Anefac- Setembro 2016. 2 – Banco Central – Agosto 2016. 3 – Novi com IGP-M de 0,5% ao mês. Elaboração: Novi Soluções Financeiras.

 

Garantia reduz risco

Os juros menores se justificam pela garantia dos bens. Graças a ela, os bancos concedem também mais prazo, o que ajuda a reduzir ainda mais o valor da prestação. E quem tem carro velho também pode refinanciar. Há financeiras que aceitam veículos de qualquer idade, desde que em bom estado. A solução, porém, não resolve todos os problemas, pois depois do refinanciamento a pessoa e sua família precisam colocar as contas em ordem e parar de gastar mais do que ganham, para não voltar a se endividar.

 

Restrições dos bancos aumentam procura por refinanciamento

A procura por consultas e simulações de refinanciamentos de imóveis, o chamado home equity, aumentou 48% do ano passado para cá no Banco Máxima, segundo Angela Damaceno Costa, gerente de crédito com garantia de imóvel . Com a taxa de juros dos empréstimos tradicionais subindo por conta da inadimplência e os grandes bancos mais restritivos, mais pessoas procuraram o Máxima, o que levou a um aumento de 30% tanto no número das operações fechadas quando no volume financeiro. “O cliente fica uns 60 dias fazendo simulações, avaliações, até decidir fechar o negócio”, explica Angela.

A análise de crédito é rápida, 48 horas para assalariados e 72 para microempresários, mas a liberação do dinheiro depende da documentação do imóvel e do registro em cartório, lembra Angela.

O Máxima financia a partir de R$ 30 mil até R$ 2 milhões, e hoje a média dos créditos vai de R$ 50 mil a R$ 450 mil. Em média, os financiamentos chegam a 30% a 40% do imóvel e os prazos, que podem ir de 3 a 15 anos, ficam em média em 15 anos. “Mas a maioria quita o empréstimo antes”, explica Angela. Os juros no Máxima podem ser pós-fixados, corrigidos pela inflação do IGP-M ou do IPCA, mais juros fixos de 1,45% ao mês, ou 18,85% ao ano. Há a opção prefixada, que cobra 1,95% ao mês, ou 26% ao ano.

 

Reorganização da vida

Para Angela, o brasileiro não conhecia muito o home equity, mas, pela alta dos juros, mesmo quem não tem educação financeira passou a renegociar dívidas e descobrir as opções mais interessantes. Em geral, o objetivo do crédito é refinanciar dívidas de cartões de crédito e cheque especial ou pagar a estadia de um filho no exterior. “Mas nossa preocupação é também ajudar o cliente a reorganizar a vida financeira,vemos isso quando alguns clientes nos ligam para agradecer”, diz. Isso porque, para fazer o empréstimo, o banco analisa a situação de crédito do cliente individualmente, levanta o total de dívidas, se estão atrasadas, se o valor do refinanciamento vai ser suficiente para cobrir todas as despesas e dar algum fôlego ao endividado e se ele vai reorganizar a vida financeira de fato.

 

Preocupação com emprego reduziu demanda

A procura pelo home equity cresceu de junho para cá, mas num ritmo menor que o do ano passado, afirma Luiz Pedro Albornoz, presidente da Novi Soluções Financeiras. A preocupação com o emprego aumentou e reduziu o apetite por  compromissos de longo prazo. “Houve uma queda no crédito em geral no país em junho e tudo indica que isso é reflexo da incerteza tanto das pessoas quando das instituições”, diz. Em setembro, ele avalia que já houve uma melhora, com o cenário político e econômico mais definidos. “Sentimos que o mercado bateu o fundo do poço”, diz Albornoz. O perfil do tomador de home equity, porém, mudou e hoje está mais concentrado em pequenos empresários tentando reequilibrar seus negócios do que na pessoa física.

Os juros de mercado, estima o executivo, estão em média em 1,45% ao mês mais IGP-M ou 1,95% prefixados ao mês, e os prazos costumam ir até 15 anos. A média de comprometimento é 30% da renda do financiado e 50% do valor do imóvel.

Para Albornoz, outubro será um mês crucial para a economia, com sinais de virada nas expectativas de empresários e dos próprios bancos. “Podemos ter a primeira queda da Selic e isso terá impacto nos demais juros e na economia, além da aprovação do teto dos gastos públicos e isso deve fazer o pessimismo perder lugar para o otimismo”, acredita.

 

Veículos, dinheiro sai mais rápido

A Novi oferece também refinanciamento de veículos, com prazo de até cinco anos e taxa prefixada de 3% ao mês. O crédito, porém, é mais restritivo. “Não refinanciamos carros de clientes negativados, diferentemente do home equity”, explica. Mas a operação é bem mais rápida: em quatro a cinco dias, após a vistoria do veículo, o dinheiro está na conta do cliente. A Novi trabalha com carros fabricados a partir de 2002 e quitados, financiando até 80% do valor de acordo com a tabela Molicar.

Segundo Albornoz, a disposição de fazer um refinanciamento é maior com carros do que com imóveis. “O Brasileiro tem um apelo maior pelo imóvel”, diz. Além disso, para casos de dívidas menores, o refinanciamento de automóveis já resolve. “Pegamos famílias com dívidas de R$ 40 mil que pagam R$ 5 mil de juros por mês e podem pagar R$ 900 refinanciando o carro e acertando suas contas”, diz.

 

Carros mais velhos também viram empréstimo

Neste ano, a procura pelo refinanciamento de veículos cresceu 12% na Omni, afirma Tadeu Silva. E não são valores muito altos. Silva estima que a média de refinanciamentos está em R$ 8 mil, que equivale a 70% do valor dos carros. As taxas, de 2,2% a 3,5% ao mês do mercado, variam de acordo com o ano de fabricação e o cadastro do cliente. O mercado em geral financia carros até 20 anos e 80% do valor de avaliação. Já a Omni não tem limite de idade. “Pode ser de 25, 30 anos, vemos o preço de mercado e financiamos, a partir de R$ 3 mil”, diz. O valor é maior quando se trata de caminhões, que têm avaliação maior. “Um caminhão de R$ 30 mil, R$ 40 mil permite financiar R$ 20 mil, afirma.

Os prazos vão até 36 meses, mas a média dos refinanciamentos é de 18 meses, chegado em alguns casos a apenas seis meses.

 

Educação para não gastar o que sobra após renegociação

Segundo pesquisa da Omini, 70% dos que buscam o refinanciamento estão trocando uma dívida cara de curto prazo por uma mais barata para se reorganizar.  “As pessoas querem ficar logo livres dessa situação”, explica. Segundo Silva, o refinanciamento é uma boa opção para quem tem disciplina, mas perdeu um pouco o controle. “Só ao reduzir pela metade o que ele paga de juros nas linhas tradicionais já dá um alívio no orçamento”, diz. “Mas precisa ter disciplina, não pode gastar o que passa a sobrar, e explicamos isso para o tomador”, afirma Silva. “Esse público que toma esse crédito é muito simples, então orientamos a guardar os R$ 200, R$ 500 reais que sobram da prestação e isso ajuda na reorganização financeira”, diz.

Com essa preocupação em avisar o cliente para não gastar as sobras e não fazer novas dívidas, a Omni reduziu em 8% a inadimplência nos refinanciamentos.

 

Liquidez para o patrimônio

O público do Banco Pan no refinanciamento imobiliário tem renda superior a R$ 5 mil e imóvel acima de R$ 150 mil, explica Leonardo Grapeia, gerente executivo de Parcerias Estratégicas. Por ocupação, 45% são empresários e 25% assalariados. Em pesquisa feita com 62 clientes, 71% afirmaram conhecer o refinanciamento de imóveis e 82% disseram querer quitar dívidas, em seguida investir na própria empresa, ampliar negócio ou comprar segundo imóvel ou ainda dar liquidez a parte do patrimônio. “Há clientes com dois, três imóveis e não conseguem vende-los, então levantam até 60% do valor de um deles até o mercado melhorar”, explica Grapeia.

 

Medo de perder imóvel

Na pesquisa, as vantagens apontadas pelos clientes eram o juro mais baixo e o prazo mais longo da operação. A principal restrição é o receio da perda do imóvel ou impossibilidade de vender a propriedade. Mas são visões erradas, diz Grapeia. “Se o cliente não pagar, o banco não fica com o imóvel, ele vende em leilão e usa os recursos para pagar a dívida e o restante fica com o cliente”, diz o executivo. “O banco não tem intenção de ser imobiliária, mas ganhar com o empréstimo”.

 

Renda de R$ 50 mil e com dívidas

O executivo desfaz também o estereótipo do devedor de baixa renda e sem instrução. “Atendo clientes mais seniores, pessoas se alavancaram no cheque especial, cartão de crédito, executivos que ganhavam R$ 50 mil fixos e mais R$ 50 mil de comissão e, com a crise, ficaram só com o salário, perderam metade da renda, e não têm economias”, descreve. “Em muitos casos, quando levantamos a situação desses clientes, mostramos que ele já está perdendo o imóvel pelo crescimento da dívida e o melhor é fazer o crédito para quitar”, diz.

Grapeia diz que o Pan possui o maior prazo do mercado em home equity, até 20 anos, enquanto os demais concorrentes vão até 15 anos. Além disso, o banco só cobra a tarifa de avaliação do imóvel, cadastro e dossiê, no valor de R$ 2.480, se a operação for efetivamente fechada. As taxas vão de 18% ao ano, ou 1,35% ao mês, mais IPCA. “Não usamos o IGP-M porque ele oscila muito e o IPCA está mais na mídia, é a inflação oficial”, diz.

Segundo Grapeia, a maioria dos clientes paga antes o débito, deixando a carteira com uma média de 10 anos. O financiamento médio é de 30% do valor do imóvel. “Até subimos um pouco este mês, para 36% do valor do imóvel, mas perto da média do mercado, que vai de 32% para 36%”, diz. O valor médio no banco é de R$ 300 mil.

 

Prazo menor com cartório eletrônico

A liberação dos recursos costuma levar em média 40 dias, ou de 10 a 15 dias no Estado de São Paulo, onde alguns cartórios de registro de imóveis já aceitam registro eletrônico. “Será um grande avanço quando todos os cartórios adotarem a automação e o registro eletrônico, o tempo de preparo da operação cairá bastante”, diz.

 

Automóveis para débitos menores

Já se o cliente precisa de um valor menor, R$ 50 mil por exemplo, o banco já pergunta se o cliente não tem um carro de valor um pouco maior que isso. Nesses casos, o cliente é orientado a fazer um refinanciamento de automóvel, que é mais rápido, três dias apenas, e pode chegar a 90% do valor do veículo. “Num carro de R$ 100 mil, o cliente pode financiar R$ 90 mil por até 60 meses”, diz Grapeia. A idade máxima do veículo dado em garantia varia. Automóveis podem chegar a 10 anos de vida e utilitários, 5 anos e caminhões, 15 anos. E não há limite máximo de financiamento, valor que, no home equity, é de R$ 4 milhões.

A taxa vai de 2,30% a 3,20% ao mês prefixada, dendendo do perfil do cliente e da garantia. E o banco ainda dá uma carência de 45 dias para o primeiro pagamento.

Fonte: Arena do Pavini

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