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O poderoso mercado dos velhinhos

Experimente oferecer um carro com mais de dez anos de uso como parte de pagamento numa concessionária ou numa loja que trabalha com novos e seminovos. Você será convidado a vender o carro em outro lugar e completar o pagamento em dinheiro. Isso se o vendedor for educado e não humilhar o seu patrimônio. Caso você insista, a loja vai jogar o preço do seu velhinho tão baixo que você vai sair de lá ofendido.

Isso acontece porque as concessionárias em geral e as lojas que trabalham com seminovos não têm mercado para carros mais velhos. Quando eventualmente recebem um como parte de pagamento, o despacham para lojas na periferia, mesmo sem obter nenhum ganho, apenas paras “se livrar das encrencas”, como os vendedores costumam dizer.

Encrencas que nos bairros mais pobres têm um grande valor de mercado. Se em alguns países do Primeiro Mundo carros com mais de dez anos já estão no fim da vida, em outros ainda mantêm um vigoroso valor, caso do interior do Brasil e das periferias das grandes cidades.

Desprezados nos bairros nobres, os velhinhos têm grande valor de revenda e são objetos de desejo para grande parte da população.

Esse mercado representa nada menos do que 34,6% do total comercializado de veículos usados em todo o Brasil, conforme dados da Fenauto, a federação que reúne os comerciantes de veículos usados. Isso significa um total de 3.043.233 transferências de janeiro a agosto junto ao Detran, média de 380 mil velhinhos vendidos por mês.

Expressivo, o mercado dos velhinhos não sofre as consequências da crise que atinge o mercado de novos. Enquanto as vendas de novos caíram 20,9% de janeiro a julho, a queda entre os velhinhos não passou de 6,3%.

E afinal, encontram-se verdadeiras preciosidades nesse mercado. Caso de um Corolla 2003 automático que estava sendo ofertado na semana passada: o carro, com 100 mil quilômetros rodados, está cotado a R$ 20 mil.

Já o Jeep Cherokee tem um valor maior. O modelo 2004 vale cerca de R$ 34 mil no mercado de usados e um Omega automático da mesma idade custa R$ 25 mil.

Mesmo carros mais velhos, com 18 ou 20 anos de idade, ainda rodam por aí com vigor e um bom valor de mercado, caso de um Monza 1994 automático, anunciado no Webmotors por R$ 13,9 mil, nada mau para um carro com apenas 57 mil quilômetros rodados. Outro velhinho, um Vectra 1993 automático, este com 167 mil km, estava sendo ofertado por R$ 10,9 mil.

Luxo a “preço de banana”

Quanto maior e mais caro for o carro, maior a depreciação. Isso quer dizer que no mercado dos velhinhos você pode encontrar carros de luxo a um preço bem convidativo. Saiba, no entanto, que a manutenção desses carros continua cara, independentemente da idade. Por isso, rodar com um velhinho luxuoso é um risco para o seu bolso. Em alguns casos, o conserto pode custar o valor do próprio carro, o que inviabiliza a reforma.

Uma Gran Caravan 2001, da Chrysler, está cotada a R$ 20 mil na tabela Fipe, mas Geraldo Cerqueira, comerciante em São Paulo, não está conseguindo vender a sua, com 150 mil quilômetros rodados, pelos R$ 17,5 mil pedidos no anúncio.

Um Mercedes-Benz Classe E 320 ano 2003 pode ser comprado por cerca de R$ 57 mil e um BMW 320i por menos de R$ 32,5 mil . São preços tentadores, mas lembre-se que o que você vai economizar na compra pode ter que investir na manutenção.

A maior parte dos negócios no segmento é feita diretamente entre o dono e a loja ou em feiras na periferia, mas mesmo assim o segmento dos velhinhos tem uma participação importante nos classificados dos portais de anúncios de veículos. Na Webmotors os anúncios de carros com mais de dez anos representam 10,2% do total, isso significa 27.260 ofertas neste momento.

De olho nessa fatia do mercado, Rodrigo Del Claro acaba de lançar um site especializado na venda de carros mais velhos, o portal Meu Usado Novo, que entrou no ar este mês com o objetivo de “agilizar e fomentar o relacionamento entre lojistas e compradores deste tipo de veículo”, como disse Rodrigo, ressaltando o pioneirismo. Ele calcula que o potencial do segmento é de três milhões de interessados.

Uma pesquisa feita pelo Meu Usado Novo indica que existem na frota brasileira 40 milhões de veículos com mais de dez anos de uso. Uma hora ou outra quase todos eles estão à venda.

Com medo de gastar num momento de crise, o consumidor prefere deixar o dinheiro no banco e investir o menos possível. É isso que explica a opção pelo usado. Sabendo procurar é possível encontrar boas opções: podem ser ultrapassados, obsoletos, mas ainda têm muita lenha pra queimar.

Fonte: O Mundo em Movimento

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