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Crise econômica eleva oferta de carteira de dívidas em atraso

A oferta de carteiras de dívidas com parcelas em inadimplência cresceu pelo menos 20% nos últimos 18 meses, dizem especialistas consultados pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. Para eles, a tendência é de este mercado de compra de dívidas em atraso de um banco ou financeira - chamado de "crédito não performado" (de NTL, sigla em inglês para Non-Performing Loans) - continuar a crescer nos próximos anos, diante da recessão e do desemprego.

A despeito de existir no Brasil há mais ou menos de 15 anos, este mercado era bastante incipiente até um ano e meio, dois anos atrás. A crise econômica é que está conferindo musculatura a esse mercado compra e venda de dívidas com parcelas inadimplidas, afirmam os especialistas. É um mercado de ciclos, conta o diretor financeiro da Omni Financeira, Nelson Rosa Junior. Os investimentos duram em média de três a cinco anos, prazos que as dívidas, após mudarem de mãos, levam para serem quitadas.

Esse mercado é bastante maduro nos Estados Unidos e na Europa. No Brasil, só grandes bancos estrangeiros operavam este mercado. Demorou bom tempo para instituições brasileiras perceberem a fonte de lucros e vantagens que este mercado oferece.

Juro e inflação altos, PIB e resultado fiscal negativo, chances de mais rebaixamento da nota soberana do Brasil e incapacidade do governo de dar uma saída à crise política são indicadores de que o desemprego e a renda devem cair, elevando a inadimplência e ampliando o movimento de compra e vendas de dívidas em atraso.

A Omni Financeira, especialista no financiamento de automóveis, eletroeletrônicos e material de construção para a classe C, entrou neste mercado agora no segundo semestre de 2015. E é graças a essa nova modalidade de negócios que a financeira vai encerrar o ano com algum crescimento no total de seus ativos. "A geração própria de carteira da empresa deve encerrar o ano com decréscimo de 2% a 3% mais a inflação", afirma Rosa Junior.

Focada neste segmento de negócios, a Ipanema Group já ganha dinheiro com a compra de dívidas em atraso há sete anos. De acordo com o CEO da empresa, Godofredo Barros, a instituição tem em valor de face de dívida alguma coisa como R$ 10 bilhões e gere uma carteira de 9 milhões de devedores.

De acordo com o diretor da Omni Financeira, os NTLs são vendidos com deságio que pode superar 95%. Para quem vende, diz ele, a operação é vantajosa porque a instituição elimina a alavancagem, tira a dívida do seu balanço e pode obter vantagens tributárias. "O vendedor reconhece a perda antes e o comprador, por acreditar que sua estrutura de cobrança é melhor do que da quem está vendendo, espera receber a dívida", disse o diretor da Omni.

Barros, da Ipanema Group, diz que o negócio é bom para todos os envolvidos. Para o cliente, ou devedor, o negócio pode ser bom porque ele ganha novas condições e prazo para renegociar a dívida e, em alguns casos, é contemplado com a retirada de seu nome das listas de inadimplentes dos serviços de proteção ao crédito. Isso ocorre porque ao vender seus créditos para outra instituição, o credor original é obrigado a retirar o nome do devedor das listas dos negativados.

A manutenção ou não do nome do cliente nos serviços de proteção ao crédito passa a ser uma escolha do novo dono da carteira. E algumas empresas, como a própria Ipanema, preferem não incluir o novo cliente nos serviços de proteção ao crédito por entender que a negativação só complicará mais a vida do devedor e diminuirá as chances de receber os créditos. "Nós somos a empresa que menos negativa cliente. Entendemos que restringir o nome de um cliente só vai complicar mais a vida dele e diminuir nossa chance de receber", diz o executivo.

Apesar de entender que a crise econômica desempenha um papel de catalisador do mercado de NTL, Barros não o encara como uma oportunidade de momento. "Isso não é um namoro. É um casamento porque teremos que nos relacionar com o novo cliente por 3 a 5 anos", explica. Para ele, trata-se do amadurecimento do mercado financeiro brasileiro.

Fonte: Isto é Dinheiro

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